Expansão policial em Moçambique gera debate sobre prioridades do governo
O aumento do efetivo policial no país tem gerado um intenso debate sobre as prioridades do governo na criação de empregos e no fortalecimento dos setores essenciais para o desenvolvimento nacional.
Enquanto milhares de moçambicanos enfrentam dificuldades para conseguir trabalho em áreas como educação, saúde e engenharia, o recrutamento e treinamento de novos agentes policiais seguem em ritmo acelerado.
Nos últimos anos, observou-se uma forte aposta na formação de forças de segurança, levantando questionamentos sobre a real finalidade desse reforço.
Para muitos críticos, a expansão contínua da polícia não tem como principal objetivo a proteção da população, mas sim a manutenção da ordem política.
Precisamos refletir: quando há manifestações pedindo melhores condições de vida, a resposta do governo é reforçar a presença policial nas ruas, aponta um analista político.
A preocupação se intensificou com relatos de repressão em protestos legítimos da população. Movimentos civis destacam que, ao mesmo tempo em que se investe na ampliação do contingente policial, setores como educação e saúde continuam com carência de profissionais e infraestrutura.
Se formar mil professores, médicos ou engenheiros significa que apenas uma parcela terá emprego, por que sempre há espaço para mais policiais?, questiona um economista.
A relação entre segurança pública e controle social também tem sido alvo de análises.
O histórico recente de eleições conturbadas e alegações de uso excessivo da força por parte das autoridades reforçam as preocupações sobre o papel da polícia na política nacional.
Para muitos moçambicanos, o desafio está em garantir que as forças de segurança atuem dentro das normas democráticas e na defesa dos cidadãos, sem se tornarem instrumentos de repressão.
Diante desse cenário, cresce o apelo por um equilíbrio na alocação de recursos públicos, para que o investimento na segurança pública não comprometa outras áreas essenciais ao desenvolvimento social e econômico do país. Leia Mais...
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